sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Carta nº2


Já passaram dois dias da tua partida. 
Quando comecei com ideia de te escrever, pensei que logo no dia da despedida iria surgir a segunda carta. Pensei, mas não quis escrever. Quis parar um pouco e organizar a minha cabeça. 
Não te nego nem nunca irei negar, foi um grande choque aquele dia. Acho que uma parte de mim só acreditou que realmente ias, quando viras-te as costas e te metes-te pelo meio da multidão de boinas verdes. Quis por momentos que o autocarro não pegasse, ou tivesse um pneu vazio, para te poder dar mais um abraço, só um. Mas isso não aconteceu e todos me obrigaram a ficar de costas para ti aqueles minutos, enquanto apertava as mãos em punho e ferrava os lábios.
O  teu aceno pela janela, nunca mais esqueço. Foi duro de ver, e é também de lembrar, mas tive um orgulho enorme em ti. 
Só passei por aqui, sabes porquê? Para dizer, que pode não parecer, mas sinto uma "forçazinha" a tentar crescer dentro de mim, a dizer-me ainda baixinho "vai tudo correr bem". 
Estarei aqui, para ti, em dias bons, maus, péssimos e até os mais devastadores. Eu sei que ambos vamos ter, e aqui me segurarei a estas paredes que amanhã terão cor e vão ser nossas. 

Amo-te ! Estarei sempre contigo, e não é só meio ano, é a vida toda.

Até à próxima carta meu amor,

A tua menina 
Susana Ribeiro

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