quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Carta nº4

E já passou uma semana. 
Não te posso dizer que passou rápido e que foi fácil. Na minha perspectiva passou bastante lenta e  dolorosa, no entanto, posso dizer-te que a termino de cabeça erguida e com vontade de criar mais força em mim. 
Disseram-me que este era o mês da aceitação e da revolta, inicialmente não compreendi o porquê de palavras tão fortes. Agora sei perfeitamente do que falam. A sensação de não estar em conformidade com a tua ausência repentina, que veio para durar um tempo que te custa a aceitar. 
Os pequenos momentos em que isso te cria uma certa angústia. Penso que será normal, faz parte do processo. Deste mesmo, que de seguida se avizinha um pensamento "tens de aceitar, e vai passar rápido." É esta  a sequência, talvez desta semana e da próxima, até encontrar o meu próprio equilíbrio emocional para com esta mudança. 
Tens que ter paciência comigo, amor. Amanhã vou ser eu a ter a mesma contigo. 

Hoje, com a entrevista, confesso que tive um pequeno ânimo em que com a vinda de um  trabalho o tempo poderia passar a ser mais meu amigo, sendo rápido como ele sabe sempre ser.  
Só quero que venhas rápido, para poderes sonhar o mesmo sonho que eu, junto à janela da cozinha ou a porta da sala, de que cor vão ser as nossas paredes. 

Quero que venhas rápido, para puderes-me dizer que não concordas com disposição dos móveis e que talvez este ou o outro poderia ser mais pequeno ou maior. Quero ir menos vezes sozinha às lojas de decoração, como irei estes meses, para me dizeres como me disses-te no ultimo fim de semana , antes de ires, "Gosto mais deste frigorífico do que do outro (...) oh amor, olha esta televisão na nossa sala" e davas-me a mão ou um beijo, enquanto juntos imaginava-mos aquelas bonitas paredes. 
Agora vou eu, contente por ver acessórios de cozinha em promoção, é bonito e faz-me sonhar um pouco de como tudo irá estar, quando daqui a seis meses aqui entrares, no entanto é inevitável não lembrar os mesmos momentos, nas lojas, na cama antes de dormir, ou até numa simples tarde, quando juntos, nos deslumbrava-mos e riamos de como iria ser "eu de avental a queimar o jantar".
Contudo, assim o farei este tempo, e de cada vez que custar mais sonho com o teu rosto ao ver o inicio deste pequeno lar, quando chegares.  
Ainda tens dúvidas que não irei esperar por ti ? (é para responder)

Amo-te todos os dias e sempre!

Até à próxima carta, meu amor
a tua menina,

Susana Ribeiro 


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